Marketing Médico e o CFM: O Que Pode e o Que Não Pode

Marketing médico no Brasil começa por uma pergunta que não é de mídia, é de compliance: o que pode ir ao ar. A Resolução CFM 1.974/2011 e suas atualizações posteriores definem os limites da publicidade médica no Brasil, e quem ignora isso não perde só a campanha: responde no conselho regional.

O que é vedado, na prática:

O que sobra é bastante, e é justamente o que atrai o paciente que você quer: especialidade, formação e titulação da equipe, estrutura do consultório, convênios atendidos, localização, e conteúdo educativo sério sobre a condição tratada.

Na prática: monte a campanha e leve o texto dos anúncios ao médico responsável técnico antes de publicar. Dois minutos de leitura evitam um processo ético que leva meses.

A separação mais rentável numa conta de clínica não é por especialidade, é por estágio de decisão. Quem digita "dor no joelho ao subir escada" está pesquisando. Quem digita "ortopedista joelho [bairro]" está escolhendo onde ir. São públicos com custo e valor completamente diferentes, e misturá-los na mesma campanha faz o orçamento inteiro ser puxado para o mais barato e menos qualificado.

Estrutura que funciona:

Negativas que quase toda conta de saúde precisa e quase nenhuma tem: "gratuito", "SUS", "concurso", "residência", "faculdade", "CRM consulta", "salário", além dos nomes de convênios que a clínica não atende.

O Custo Por Lead Mente em Saúde

Este é o ponto que separa uma conta que parece boa de uma que é boa. Numa clínica, entre o formulário preenchido e o dinheiro em caixa existem duas etapas que a plataforma de anúncio não enxerga: o agendamento efetivo e o comparecimento.

A taxa de não comparecimento em clínicas no Brasil é significativa, e varia muito por especialidade, convênio e canal de origem. Se você mede só o formulário, o custo por paciente real pode ser bem maior que o custo por lead que o painel mostra, e você nunca vai saber por quê.

O que rastrear, em ordem de impacto:

Enquanto o algoritmo otimizar por formulário, ele vai encontrar quem preenche formulário. Quando passa a otimizar por comparecimento, o volume cai e a agenda enche. É contraintuitivo e é o que funciona.

LGPD e Dado de Saúde: O Detalhe Que Custa Caro

Dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD, com regime mais rígido que dado comum. Isso tem consequência direta na configuração das campanhas.

Três cuidados concretos:

Marketing para Clínicas: Por Onde Começar se a Conta Já Roda

Se a clínica já investe e o resultado não fecha, a ordem de investigação que costuma achar o problema mais rápido:

  1. Separe marca de não-marca no relatório. Muita conta de clínica está comprando o próprio nome e contabilizando isso como aquisição.
  2. Veja o relatório de termos de pesquisa dos últimos 90 dias. Em conta de saúde sem manutenção, é comum encontrar buscas por emprego, curso e SUS consumindo verba.
  3. Confira se ligação e WhatsApp estão registrados como conversão. Em clínica, boa parte do contato acontece por esses canais e some da medição.
  4. Só então mexa em lance e criativo.

Essa sequência importa. Ajustar lance numa conta que mede errado é otimizar em direção ao alvo errado com mais precisão.